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  • Avenida Sampaio Vidal: A Rua que Conta a História de Marília

    Avenida Sampaio Vidal: A Rua que Conta a História de Marília

    Do barro vermelho dos cafezais ao asfalto dos desfiles cívicos — a avenida mais importante da cidade guarda quase um século de memórias

    Por ComMarília


    Se Marília tivesse um coração, ele bateria na Avenida Sampaio Vidal. É ali que a cidade nasceu, cresceu e até hoje pulsa. Todo mariliense tem pelo menos uma memória naquela avenida — o desfile cívico do aniversário da cidade, a compra na loja do centro, o café na padaria da esquina, a caminhada no fim de tarde ou o bolo distribuído no 4 de abril. Contar a história da Sampaio Vidal é contar a história da própria Marília.

    Um nome que veio de um poema de amor

    A avenida leva o nome de Bento de Abreu Sampaio Vidal, o homem que fundou a cidade. Deputado estadual nascido em Campinas, Bento de Abreu comprou a Fazenda Cincinatina em 1926 e começou a planejar a chegada da ferrovia à região. A Companhia Paulista de Estradas de Ferro batizava suas estações em ordem alfabética a partir de Piratininga, e a próxima precisava de um nome com a letra M. Sugeriram Maratona, Mogúncio, Macau — nenhum agradou. Foi numa viagem de navio à Europa que Bento de Abreu leu “Marília de Dirceu”, o poema de Tomás Antônio Gonzaga, e decidiu: a estação — e a cidade que nasceria ao redor dela — se chamaria Marília.

    A avenida que recebeu seu nome se tornaria o eixo central da cidade, cortando o centro de ponta a ponta e ligando os marcos mais importantes da história mariliense.

    Os primeiros anos: madeira, barro e sonho

    No final dos anos 1920, a Sampaio Vidal era pouco mais que uma estrada de terra vermelha ladeada por construções de madeira. As primeiras casas de alvenaria só começaram a surgir em 1929, com tijolos da Olaria dos Irmãos Bertonha — que, aliás, trouxeram o primeiro trator para o povoado.

    Mesmo em meio à crise mundial de 1929, a avenida foi ganhando forma. O Hotel São Bento, encomendado pelo próprio Bento de Abreu e construído por Benedicto Faria, foi um dos primeiros prédios de alvenaria a embelezar a via — durante décadas foi referência de hospedagem na cidade, até ser demolido anos depois. Na esquina com a Rua Ceará, o Banco São Paulo abriu suas portas com Agenor Gomes como primeiro gerente. A Villa Marinette, casa do primeiro prefeito Durval de Menezes, ficava na mesma esquina.

    Era ali, naquele trecho, que Marília deixava de ser cafezal e começava a virar cidade.

    O berço do Bradesco

    Talvez o fato mais surpreendente sobre a Sampaio Vidal seja este: foi ali que nasceu um dos maiores bancos do Brasil.

    No quarteirão onde funcionava a antiga Caixa Econômica Estadual, havia a Sapataria de Joaquim Felizardo. Esse prédio foi demolido para dar lugar à Casa Bancária Almeida — uma pequena instituição financeira que estava falindo quando um jovem funcionário chamado Amador Aguiar assumiu o controle. Em 10 de março de 1943, a Casa Bancária Almeida se transformou no Banco Brasileiro de Descontos. O Bradesco. Hoje, o terceiro maior banco privado do Brasil nasceu ali, na Avenida Sampaio Vidal, em Marília.

    Uma avenida de marcos e monumentos

    Com o passar das décadas, a Sampaio Vidal foi se tornando um museu a céu aberto. Cada quarteirão guarda um pedaço da história.

    O Paço Municipal — a sede da Prefeitura e da Câmara Municipal — fica na avenida. Projetado pelos engenheiros Miguel Badra e Ginez Velanga e inaugurado em 1960, o edifício ganhou ouro no Prêmio Internacional de Arquitetura de Caracas em 1985. No jardim do Paço, a estátua de Bento de Abreu Sampaio Vidal observa a avenida que leva seu nome.

    Em frente ao Espaço Cultural, o Monumento à Bíblia — idealizado por Joaquim Ferraz de Oliveira, da Igreja Metodista — foi erguido em três partes, com os Dez Mandamentos em algarismos romanos e um livro aberto no topo. Em frente à Biblioteca Municipal, o monumento ao criador do Esperanto, Dr. Lázaro Luiz Zamenhof, homenageia o sonho de fraternidade entre os povos através de uma língua universal. A herma de Monsenhor Bicudo de Almeida, sacerdote que dedicou a vida à juventude mariliense, também está ali.

    A Biblioteca Municipal, o Museu de Paleontologia (no número 245, onde ficava o antigo Clube de Cinema de Marília), a Agência dos Correios — construída nos anos 1950 no terreno onde antes funcionava a serraria dos irmãos Casadei — e diversos outros edifícios públicos e comerciais transformaram a avenida num corredor de história viva.

    Comércio, cultura e memória afetiva

    Para além dos marcos oficiais, a Sampaio Vidal sempre foi o coração comercial de Marília. As lojas mais tradicionais da cidade se instalaram ali — a Casa Verde, que vendia materiais de construção e ferragens e ocupava o prédio número 562 (onde hoje funciona o Restaurante Giovanni); a Casa Bancária Martins Milhomens, no local onde hoje fica a Friolar; o sobrado de Miguel Pedro, ao lado do Banco Econômico, alugado para a Casa Lotérica do sr. Freitas.

    No mesmo quarteirão, o jornal Correio de Marília registrou os acontecimentos mais importantes da cidade ao longo de décadas. A Rádio Clube de Marília, primeira emissora da cidade (fundada na década de 1930), funcionou em um prédio na Avenida Gonçalves Dias, mas seus profissionais circulavam pela Sampaio Vidal diariamente — inclusive um jovem locutor chamado Osmar Santos, que décadas depois se tornaria a voz mais famosa do rádio esportivo brasileiro.

    A sede original do Esporte Clube Comercial — que em 1947 se tornaria o Marília Atlético Clube — ficava no prédio número 628 da avenida. Ali nasceu o Tigrão.

    O palco dos desfiles que emocionam

    Todo 4 de abril, a Sampaio Vidal se transforma. As calçadas lotam de gente. As bandeiras tremulam. O Hino Nacional ecoa. E Marília celebra mais um ano de existência no mesmo lugar onde tudo começou.

    O desfile cívico-militar do aniversário da cidade é, sem dúvida, o momento mais emblemático da avenida. Ao longo de seis quarteirões — dos Correios até o Paço Municipal — desfilam escolas, entidades, forças armadas, bandas marciais e milhares de marilienses. Em 2025, nos 96 anos da cidade, a Avenida Sampaio Vidal ficou lotada com mais de duas mil pessoas desfilando e multidões nas calçadas, com a Esquadrilha da Fumaça sobrevoando os céus de Marília.

    Em 2026, nos 97 anos, as comemorações começaram às 4 da manhã com o Rosário de Frei Gilson transmitido por telão na própria avenida, seguido do hasteamento de bandeiras no Paço às 8h e do desfile às 9h, com a presença dos Fuzileiros Navais e da Banda do 37º Batalhão de Infantaria de Lins.

    A avenida que é Marília

    A Sampaio Vidal não é apenas um endereço. É o lugar onde o primeiro prefeito morou, onde o Bradesco nasceu, onde o MAC foi fundado, onde Osmar Santos deu os primeiros passos no rádio, onde os desfiles cívicos emocionam gerações, onde os monumentos guardam a memória dos que construíram essa cidade.

    Quando você caminha pela Sampaio Vidal, está pisando na história de Marília. Cada prédio, cada esquina, cada calçada carrega quase um século de memórias. E a avenida continua ali — firme como o dia em que Bento de Abreu escolheu um nome de poema para uma estação de trem no meio do cafezal.

  • Campanha do Agasalho 2026: Aqueça o Inverno de Quem Mais Precisa em Marília

    Campanha do Agasalho 2026: Aqueça o Inverno de Quem Mais Precisa em Marília

    Com o lema “Quem doa o frio espanta”, Fundo Social lança arrecadação com novidades, incluindo doações via Pix e Drive-Thru solidário.

    Por ComMarília

    Sabe aquela blusa que está guardada no fundo do guarda-roupa e você não usa mais? Aquele cobertor extra que sobra na cama? Em Marília, essas peças podem se transformar no calor que vai aquecer uma família inteira neste inverno.

    Com a chegada das noites mais frias, a solidariedade mariliense é, mais uma vez, convocada a entrar em campo. O Fundo Social de Marília lança oficialmente nesta terça-feira, 14 de abril de 2026, a tradicional Campanha do Agasalho. Sob o lema “Quem doa o frio espanta”, a iniciativa busca arrecadar roupas, calçados e cobertores para atender entidades e famílias em situação de vulnerabilidade na nossa cidade.

    A solenidade de lançamento acontece no Auditório Prof. Octávio Lignelli (no Complexo Cultural Braz Alécio), mas a campanha já está nas ruas, contando com o apoio de empresários, clubes de serviço e, principalmente, da população.

    A força da comunidade

    A presidente do Fundo Social, dona Paula Almeida, reforça que o sucesso da campanha está diretamente ligado ao coração do mariliense.

    “Nosso trabalho depende da solidariedade de toda a comunidade. Cada doação faz diferença e nos permite ampliar o atendimento às famílias e instituições que mais precisam”, explica.

    Para a edição de 2026, a campanha já nasce forte, impulsionada por parceiros de peso: a Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas (APCD) e o Rotary Club de Marília 4 de Abril. Mas o convite está aberto a qualquer empresa, associação ou cidadão que queira somar forças.

    A grande novidade: Doações por Pix

    Se antes a falta de tempo para levar uma sacola de roupas até um ponto de coleta era um obstáculo, a tecnologia chegou para facilitar a solidariedade. A grande novidade deste ano é a possibilidade de doar valores em dinheiro através do Pix.

    A ferramenta, implementada com total segurança, permite que o Fundo Social utilize os recursos arrecadados para comprar agasalhos e cobertores novos, conforme a necessidade das famílias.

    “Durante a Campanha do Agasalho, além das roupas e cobertores, podemos levantar recursos para comprar esses itens, caso as pessoas prefiram doar em dinheiro. É uma facilidade a mais para quem quer ajudar”, frisa a presidente do Fundo.

    Os valores são geridos com total transparência e declarados no Portal da Transparência do município.

    A chave Pix é o e-mail oficial: fundosocial@marilia.sp.gov.br (confira sempre se o destino aparece como Município de Marília).

    Anote na agenda: Dia D com Drive-Thru Solidário

    Para quem gosta de participar de ações dinâmicas, a campanha preparou um evento especial. No dia 16 de maio (quinta-feira), acontecerá o Dia D Drive-Thru.

    A ação será realizada em frente à sede da APCD, das 08h às 17h. A ideia é simples e rápida: você passa com seu carro, entrega sua doação sem precisar descer do veículo e segue o seu dia com a certeza de ter feito o bem.

    O que e onde doar

    O que doar:

    A prioridade é para agasalhos, cobertores e calçados. A regra de ouro da doação é a empatia: as peças devem estar limpas e em bom estado de conservação. Doe aquilo que você usaria.

    Onde entregar fisicamente:

    • Fundo Social de Marília: Rua 9 de Julho, 1.600.

    • Postos espalhados pela cidade: A lista completa de empresas e instituições parceiras está disponível no site oficial da Prefeitura.

    Contatos para dúvidas e parcerias:

    • Telefones: (14) 3417-6650 | (14) 3417-2537

    A solidariedade é o casaco mais quente que existe. Abra o seu guarda-roupa, acesse o seu aplicativo de banco ou prepare o porta-malas para o Drive-Thru. O inverno de Marília pede a nossa ajuda. E, como sabemos, quem doa, o frio espanta.

  • Post sem título 1061

    Da fundação como Esporte Clube Comercial em 1942 até os dias de hoje — a história do clube que é a paixão dos marilienses

    Por ComMarília


    Se você é de Marília, não importa se você vai ao estádio todo domingo ou se nunca pisou no Abreuzão. O Marília Atlético Clube faz parte da sua vida. Ele está nas conversas de bar, nas camisas azul celeste que aparecem nas ruas em dia de jogo, nas memórias do avô que viu o time vencer o Santos na Vila Belmiro, nas histórias do pai que chorou quando o MAC subiu pra elite do futebol paulista.

    Neste 12 de abril de 2026, o Tigrão completa 84 anos de fundação. E a história desse clube — que nasceu modesto, mudou de nome, mudou de cor, foi desativado, ressurgiu, conquistou títulos, revelou craques e se tornou a identidade esportiva de uma cidade inteira — merece ser contada como ela é: épica.


    O começo: nasce o Esporte Clube Comercial

    A história começa em 12 de abril de 1942, quando o dentista Benedito Alves Delfino fundou o Esporte Clube Comercial. O primeiro presidente foi o farmacêutico Guido Rossini — avô do zagueiro Márcio Rossini, que décadas depois se tornaria um dos maiores ídolos da história do clube. A sede ficava na Avenida Sampaio Vidal, no prédio número 628, e o uniforme era vermelho e branco.

    Nos primeiros anos, o Comercial disputou apenas competições amadoras organizadas pela Liga Municipal e pela Federação Paulista. O time atraía poucos torcedores — o nome “Comercial” soava elitista para a população e não gerava a identificação que o futebol exige. A cidade já tinha outro representante no futebol profissional, a Associação Atlética São Bento, que participava dos campeonatos da Federação Paulista desde 1944.

    Foi em 1947 que tudo mudou. Uma nova diretoria assumiu o controle do clube e, em Assembleia Geral Extraordinária realizada no dia 11 de julho, decidiu por unanimidade mudar o nome para Marília Atlético Clube. A mudança não foi apenas no nome: as cores também mudaram. O vermelho e branco deu lugar ao azul celeste e branco — uma decisão estratégica, já que o vermelho era a cor do arquirrival Esporte Clube Noroeste. Nascia o MAC. Nascia o Alviceleste.


    O profissionalismo e os primeiros passos

    Apesar da mudança de nome e de cores, o Marília continuou como clube amador por mais alguns anos. O profissionalismo só chegou em 1953, quando o MAC estreou no Campeonato Paulista da Segunda Divisão, ocupando a vaga deixada pelo São Bento, que havia se licenciado.

    O primeiro jogo oficial como agremiação profissional foi um amistoso realizado em 7 de setembro de 1953, no Estádio Bento de Abreu, contra o Rio Claro. Na estreia no campeonato estadual, o adversário foi justamente o rival Noroeste, no Abreuzão, em 29 de novembro de 1953. O jogo terminou empatado em 0 a 0 — mas a rivalidade que já existia desde os tempos do São Bento ganhou contornos ainda mais intensos.

    No Campeonato Paulista da Segunda Divisão de 1954/55, o MAC mostrou pela primeira vez o seu potencial ofensivo: aplicou uma goleada de 10 a 2 sobre o Corinthians de Presidente Prudente, no Abreuzão — um resultado que por muitos anos foi a maior goleada da história do clube em competições oficiais.

    Mas o futebol em Marília vivia tempos difíceis. Sem recursos financeiros e com dificuldade para manter o elenco, o clube acabou se afastando das competições oficiais em 19 de abril de 1954. O MAC ficaria fora do futebol profissional por longos 15 anos.


    O Tigre escolhido pelo povo

    Em 7 de julho de 1969, o Marília Atlético Clube renasceu. Uma assembleia realizada no Grepan oficializou o retorno do clube ao futebol profissional, sob a presidência do vereador Pedro Sola. As cores foram confirmadas como azul celeste e branco, e o mascote — o Tigre — foi escolhido em um concurso popular. A partir daquele momento, o MAC nunca mais deixaria de ser uma agremiação profissional.

    O retorno definitivo foi marcado por um amistoso contra o São Paulo Futebol Clube, no Estádio Bento de Abreu, em 28 de fevereiro de 1970. O MAC perdeu por 3 a 1, mas o resultado pouco importava: o Tigrão estava de volta, e dessa vez seria para sempre.


    1971: o ano que mudou tudo

    Se existe um ano que define a história do Marília Atlético Clube, esse ano é 1971. Foi quando o MAC conquistou o título do Campeonato Paulista da Série A2, garantindo pela primeira vez o acesso à elite do futebol paulista.

    O gol que sacramentou o título foi marcado de cabeça por Ivo Picerni, em uma vitória por 1 a 0 sobre o SAAD, no Parque Antártica. A conquista levou Marília ao delírio. O time voltou para a cidade como herói, e o Abreuzão se tornou, definitivamente, o templo sagrado do futebol mariliense.

    Em agosto de 2021, cinquenta anos depois, ex-atletas daquela equipe histórica — incluindo Jorginho, Márcio Rossini e Luís Silvio — se reuniram no Yara Clube para celebrar o jubileu de ouro do título que mudou a história do futebol na cidade.


    O Abreuzão: a casa do Tigrão

    O Estádio Bento de Abreu Sampaio Vidal — o Abreuzão — foi inaugurado em 1967 e se tornou a casa do MAC e o palco dos maiores momentos do futebol mariliense. Com capacidade para aproximadamente 18 mil torcedores, o estádio já recebeu jogos históricos contra os maiores clubes do Brasil.

    O nome homenageia Bento de Abreu Sampaio Vidal, político e fazendeiro que foi uma das figuras mais influentes na história da região de Marília. O estádio fica na Avenida Vicente Ferreira e é um dos cartões-postais esportivos da cidade.


    Na elite: o MAC contra os gigantes

    A partir de 1975, o Marília passou a disputar a Divisão Especial do Campeonato Paulista — a elite do futebol do estado. E logo na estreia, mostrou que não estava ali para figurar.

    No dia 2 de março de 1975, o MAC enfrentou o Santos na Vila Belmiro e venceu de virada por 2 a 1. Os gols foram de Itamar e Nelson Lopes, e o time era comandado pelo técnico Wilson Francisco Alves, o “Capão”. Uma equipe do interior paulista vencendo o Santos dentro da Vila Belmiro na estreia — a notícia correu o Brasil e colocou Marília no mapa do futebol nacional.

    Naquele Paulistão, o MAC terminou na 13ª colocação entre 19 clubes, com um primeiro turno impressionante: sétimo lugar, com sete vitórias, seis empates e apenas cinco derrotas. Enfrentou São Paulo, Palmeiras, Corinthians e os maiores clubes do estado de igual para igual.


    1979: campeão da Copinha

    Se o título de 1971 colocou o MAC no mapa, a conquista da Copa São Paulo de Futebol Júnior de 1979 mostrou que o clube sabia formar talentos. Sob o comando do técnico Walter Zaparolli e com a coordenação de base do lendário Pupo Gimenez, o Maquinho (como é chamado o time de base do MAC) conquistou o título mais importante das categorias de base do Brasil.

    Pupo Gimenez é uma figura central nessa história. Desde os anos 1970, ele coordenou as categorias de base do Marília e revelou uma geração inteira de craques que brilharam no futebol brasileiro: Márcio Rossini, que foi para o Santos e o Bangu; Carlos Alberto Borges, que jogou no Palmeiras; Sérgio Nery, destaque no Guarani; Paulo César Borges, que defendeu Cruzeiro e Flamengo; e Jorginho Putinati, que brilhou no Palmeiras — e que Pupo considerava tecnicamente superior a Kaká.


    Craques que vestiram o azul celeste

    A camisa do MAC foi vestida por nomes que marcaram a história do futebol brasileiro. O mais ilustre de todos foi Jurandir de Freitas, o zagueiro mariliense campeão do mundo com a Seleção Brasileira na Copa de 1962, no Chile. Depois de uma década gloriosa no São Paulo Futebol Clube, Jurandir voltou a Marília e estreou pelo MAC em 4 de junho de 1972, em um amistoso contra o Atlético Mineiro — que era o atual campeão brasileiro. O MAC venceu por 2 a 1, no Abreuzão.

    Serginho Chulapa, que depois se consagraria como ídolo do São Paulo, também passou pelo MAC em 1973, ainda jovem. Norberto Lopes, o técnico que mais vezes comandou o Marília na história (164 jogos ao longo de nove passagens diferentes), é outro nome inseparável da trajetória do clube. Até Paulo Autuori, um dos treinadores mais respeitados do futebol brasileiro, passou pelo banco do Tigrão.


    2002: o segundo acesso e a Série B

    Em 2002, o MAC viveu seu segundo grande momento de glória. O time conquistou o bicampeonato da Série A2 do Campeonato Paulista, com uma vitória por 3 a 0 sobre a Francana na final. O acesso levou o Marília de volta à elite do futebol paulista e abriu as portas para a disputa do Campeonato Brasileiro da Série B.

    Entre 2004 e 2007, o MAC disputou a Série B do Brasileirão, enfrentando clubes de todo o país e levando o nome de Marília para estádios do Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife e Porto Alegre. Foi o período de maior projeção nacional do clube.

    No Campeonato Paulista, o MAC chegou a disputar a Série A1 em 2005 e 2007, medindo forças mais uma vez com Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos — os mesmos gigantes que o Tigrão havia enfrentado décadas antes.


    A rivalidade com o Noroeste

    Não se pode contar a história do MAC sem falar do Noroeste. A rivalidade entre os dois clubes é uma das mais antigas e intensas do interior paulista. Ela nasceu antes mesmo do Marília existir — nos tempos do São Bento — e se intensificou quando o MAC adotou as cores azul celeste justamente para se diferenciar do rival vermelho.

    Os clássicos entre MAC e Noroeste no Abreuzão são capítulos à parte na história esportiva de Marília. Jogos de alta tensão, estádio lotado, paixão transbordando das arquibancadas. Essa rivalidade é parte fundamental da identidade esportiva da cidade e alimenta o futebol local há mais de sete décadas.


    Tempos recentes: resiliência e recomeço

    Como todo clube do interior, o MAC viveu momentos de dificuldade. Em 2016, foi rebaixado para a Série A3, e em 2018 desceu para a Quarta Divisão do Campeonato Paulista. Mas o Tigrão mostrou a garra que o mascote exige: em 2019, conquistou o vice-campeonato da Quarta Divisão e garantiu o retorno à Série A3.

    Fora do campeonato estadual principal, o MAC brilhou na Copa Paulista, conquistando o título em 2020 e novamente em 2022 — dois troféus que reafirmaram a capacidade competitiva do clube mesmo em momentos de reconstrução.

    Em 2026, o Marília disputa a Série A3 do Campeonato Paulista, com o sonho de mais um acesso e de devolver ao Abreuzão as noites de glória que a torcida merece.


    84 anos de paixão

    O Marília Atlético Clube não é apenas um time de futebol. É um pedaço da identidade de Marília. É o grito de gol que ecoa pelas ruas do centro em dia de jogo. É a camisa azul celeste que o avô guarda no armário com carinho. É a lembrança de ter estado no Abreuzão naquela noite mágica em que o Tigrão venceu um jogo impossível.

    De Esporte Clube Comercial a Marília Atlético Clube. De vermelho e branco a azul celeste e branco. De amador a profissional. De desativado a campeão. O MAC já caiu e se levantou tantas vezes que a resiliência virou parte do seu DNA.

    Neste aniversário de 84 anos, o ComMarília saúda o Tigrão e toda a torcida maqueana. Que venham mais décadas de história, de garra e de paixão.

    Azul celeste é a cor. Marília é o nome. Tigrão é a alma.

  • Marília: A Capital Nacional do Alimento

    Marília: A Capital Nacional do Alimento

    A história de como uma cidade do interior de São Paulo se tornou a potência que alimenta o Brasil e exporta para o mundo inteiro

    Por ComMarília


    Se você já viveu em Marília, sabe do que estamos falando. Aquele cheiro inconfundível de biscoito assando que toma conta de alguns bairros da cidade no fim da tarde. Aquela sensação de entrar num supermercado em qualquer estado do Brasil e encontrar, na prateleira, um produto que nasceu nas fábricas da nossa cidade. Aquele orgulho silencioso de saber que a bala que uma criança está chupando no Nordeste, o biscoito que uma família está comendo no Sul, o chocolate que alguém está saboreando em Portugal — tudo isso saiu daqui. De Marília.

    O título de Capital Nacional do Alimento não é uma força de expressão, não é marketing e não é exagero. É o que todo mariliense já sabe: a nossa cidade alimenta o Brasil.

    Mas como uma cidade de pouco mais de 200 mil habitantes no interior de São Paulo chegou a esse patamar? A resposta está numa combinação de vocação, ousadia e trabalho duro que começa lá atrás, nas lavouras de café dos anos 1920, e desemboca numa das maiores concentrações de indústrias alimentícias do planeta.


    Do café ao biscoito: as raízes da vocação alimentícia

    Quando Marília foi fundada oficialmente em 1929, a economia da cidade girava em torno do café. As fazendas da região produziam grãos que seguiam pela ferrovia até o porto de Santos e de lá para o mundo. O café era o rei, e a terra vermelha de Marília era o seu trono.

    Mas o café, como toda monocultura, tinha os seus ciclos de crise. Quando os preços despencaram nas décadas seguintes, os produtores marilienses precisaram se reinventar. Muitos migraram para o algodão. Outros começaram a experimentar com pequenas produções de alimentos processados — óleos, farinhas, conservas. A partir de 1934 e 1935, as primeiras fábricas de óleo de amendoim e de algodão surgiram na cidade, marcando o início de uma transformação que mudaria para sempre o destino de Marília.

    Foi esse espírito empreendedor — essa capacidade de olhar para a crise e enxergar oportunidade — que plantou a semente da vocação alimentícia da cidade. O café trouxe a ferrovia, a ferrovia trouxe a infraestrutura, a infraestrutura trouxe as indústrias. E as indústrias trouxeram o futuro.


    Marilan: o forno à lenha que virou império

    De todas as histórias que compõem a saga alimentícia de Marília, nenhuma é mais emblemática do que a da Marilan. Ela é, em muitos sentidos, a própria história da cidade.

    Tudo começou em 1956, quando o casal Maximiliano Garla e Iracema Fontana Garla decidiu se mudar para Marília com um objetivo claro: produzir biscoitos. Maximiliano, nascido em Piratininga em 1922, e Iracema chegaram à cidade com pouco mais do que as próprias mãos, uma receita e uma convicção.

    Em 31 de março de 1957, a Indústria de Biscoitos Marilan Ltda. foi inaugurada num prédio modesto na Rua Liberdade. O equipamento era um forno estilo padaria, aquecido à lenha. A produção inicial era pequena e artesanal: biscoitos Maria, Água e Sal, Coco e Maizena. Os clássicos que todo brasileiro conhece.

    O nome “Marilan” não foi escolhido pelo casal. Foi a própria comunidade de Marília que batizou a empresa, através de um concurso divulgado numa rádio local. Uma junção de “Marília” com algo mais — um nome que nascia da cidade e pertencia a ela desde o primeiro dia.

    O crescimento foi gradual, mas imparável. Quando a empresa conseguiu um forno industrial chamado “Super Vulcão”, a produção saltou para 300 quilos por hora. No final dos anos 1960, já eram mais de 600 quilos por hora saindo da fábrica.

    Na década de 1970, a família Garla tomou a decisão que mudaria a escala do negócio: investir num novo complexo industrial. Em 1976, foi inaugurado o parque fabril com 67 mil metros quadrados. Na época, a empresa empregava 250 funcionários e os processos manuais davam lugar a equipamentos automatizados.

    Nos anos 1990, a Marilan atingiu a marca impressionante de 84 mil toneladas de biscoitos produzidos por ano, com 1.300 colaboradores diretos. Maximiliano Garla recebeu o prêmio de Empresário do Ano em 1995 e o título de Cidadão Mariliense em 1997. Em 2017, seus três filhos — José Rubis, José Geraldo e José Carlos Garla — também foram homenageados com o mesmo título pela Câmara Municipal.

    Maximiliano faleceu em agosto de 2013, aos 91 anos, mas o legado que ele e Iracema construíram continua mais vivo do que nunca. Hoje, o Grupo Marilan é o segundo maior fabricante de biscoitos do Brasil. A empresa possui mais de 4.500 colaboradores, cinco fábricas (em Marília, Jandira, Itapevi, São José dos Pinhais e Igarassu), mais de 20 lojas de fábrica no estado de São Paulo e um portfólio com mais de 200 produtos distribuídos pelas marcas Marilan, Casa Suíça, Teens, Lev, Pit Stop, Top Cau e Festtone.

    Os produtos da Marilan estão presentes em mais de 70% dos lares brasileiros e são exportados para mais de 50 países em todos os continentes. A fábrica de Marília opera 24 horas por dia, 7 dias por semana, com capacidade para produzir até 220 mil toneladas por ano — o equivalente a 80 milhões de unidades de biscoitos fabricados por dia.

    De um forno à lenha numa rua modesta para uma operação que alimenta o Brasil inteiro. Essa é a Marilan. Essa é Marília.


    Dori: a doceira que adoçou o país

    Se a Marilan é a rainha dos biscoitos, a Dori é a soberana dos doces. E a história da sua fundação é tão mariliense quanto se pode imaginar: uma mulher, uma cozinha e um sonho.

    No dia 8 de maio de 1967, Doraci dos Santos Spila fundou uma pequena empresa individual na própria casa. A produção era totalmente artesanal: pipoca e amendoim feitos à mão, vendidos com a marca “Guri”. Doraci — ou Dori, como era chamada por todos — transformava a sala da sua residência numa pequena fábrica de confeitos.

    Na década de 1970, o marido de Doraci, Augusto Spila, que trabalhava como técnico de rádio, largou o emprego para se juntar ao negócio. Os filhos do casal também entraram na sociedade. Em 1976, a empresa se mudou para um salão de 500 metros quadrados na Avenida República e ganhou oficialmente o nome “Dori” — uma homenagem carinhosa à fundadora.

    O ponto de virada veio em 1988, quando o empresário João Baptista Barion adquiriu 62% da empresa. Barion, que já tinha experiência no setor alimentício (ele e a família haviam comandado a Ailiram, fábrica que depois foi vendida ao grupo Nestlé), injetou capital, visão e ambição na Dori. Quando ele assumiu, a empresa produzia cerca de 350 mil quilos por mês com menos de 100 empregados. A transformação foi rápida e radical.

    Um ano depois da aquisição, Barion comprou a fábrica de balas e pirulitos “Ouro Verde” em Rolândia, no Paraná, ampliando a capacidade produtiva. Em 1992, novas filiais comerciais foram abertas em São Paulo e Porto Alegre. Em 2003, foi inaugurado um Centro de Distribuição de 10 mil metros quadrados em Marília, com capacidade para armazenar 6,5 milhões de quilos de produtos.

    A Dori cresceu até se tornar uma das maiores fabricantes de doces e snacks do Brasil. Suas marcas são conhecidas de norte a sul: Dori, Pettiz, Jubes, Gomets, Disqueti, Bolete, Deliket, Yorgurte 100. A empresa é líder nacional no segmento de amendoim e referência em balas, gomas e confeitos.

    Em 2020, a Dori conquistou o primeiro lugar na categoria “Grandes Empresas” no prêmio “Lugares Incríveis para Trabalhar”, do UOL e da FIA — um reconhecimento que vai além dos números e fala sobre a relação da empresa com seus colaboradores e com a cidade.

    Em 2023, um novo capítulo se abriu: a Ferrara Candy Company, empresa associada ao Grupo Ferrero dos Estados Unidos — a maior empresa de balas e gomas do mercado americano — anunciou um acordo para adquirir a Dori Alimentos. A empresa que nasceu na cozinha de dona Doraci agora faz parte de um dos maiores conglomerados de doces do planeta.


    Bel Chocolates: o amor que virou marca

    A história da Bel tem um ingrediente que a torna especial: ela nasceu de uma homenagem de amor. Em 1976, Paulo Sérgio Zaparolli Dedemo fundou a empresa e a batizou com o apelido da esposa, Isabel. Bel.

    Os primeiros chocolates eram fabricados artesanalmente, com receitas caseiras, numa produção familiar que lembrava os primeiros dias da Marilan e da Dori. A qualidade dos produtos conquistou o público local e depois o regional.

    Em 1984, com o crescimento da demanda, a Bel transferiu suas instalações para o Jardim Santa Antonieta, na zona sul de Marília, onde mantém sua fábrica até hoje. A produção cresceu, o portfólio se expandiu — ovos de Páscoa, bombons, tabletes, barras — e a marca ultrapassou as fronteiras do estado de São Paulo.

    Atualmente, a Bel Chocolates atende o mercado nacional inteiro e exporta para diversos países. É mais uma empresa que nasceu do empreendedorismo mariliense, cresceu com trabalho e hoje carrega o nome da cidade pelo mundo.


    As gigantes que escolheram Marília

    A vocação alimentícia de Marília não atraiu apenas empreendedores locais. Multinacionais de peso identificaram na cidade o ecossistema ideal para suas operações e decidiram instalar unidades industriais aqui.

    A Nestlé, a maior empresa de alimentos do mundo, produz biscoitos e bolachas em Marília desde o início dos anos 2000. A operação se tornou integral a partir de 2006, e a fábrica mariliense é uma das unidades estratégicas da companhia no Brasil. A unidade fica na Avenida Castro Alves e emprega centenas de trabalhadores da região.

    A Coca-Cola também mantém unidade industrial na cidade. Ambas as multinacionais figuram entre as maiores empresas do país em rankings como o Valor 1000 do jornal Valor Econômico.

    Há também a Carino Ingredientes e Soluções, empresa mariliense com mais de 30 anos de atuação, especializada em ingredientes para a indústria alimentícia — recheios, inclusões, coberturas, drageados e biscoitos — que exporta para mais de 22 países e possui certificações internacionais de segurança alimentar.

    A presença dessas empresas, somada às gigantes locais como Marilan e Dori, cria um ecossistema completo: fornecedores de matéria-prima, empresas de embalagem, transportadoras, laboratórios de qualidade, centros de formação profissional e uma mão de obra especializada que se transmite de geração em geração.


    Os números que impressionam

    Para dimensionar o que Marília representa para a indústria alimentícia brasileira, é preciso olhar para os números. E eles são de impressionar qualquer um.

    A cidade abriga mais de 1.000 indústrias do setor alimentício. A produção mensal ultrapassa 32 mil toneladas de alimentos. O setor gera mais de 27 mil empregos diretos no município — o que significa que uma parcela enorme das famílias marilienses tem pelo menos um membro trabalhando na cadeia de alimentos.

    Os produtos fabricados em Marília são distribuídos para todos os estados brasileiros, sem exceção. E as fronteiras do país ficaram pequenas: as exportações alcançam os cinco continentes. A Marilan exporta para mais de 50 países. A Dori também ultrapassa os 50 países. A Bel exporta para diversos mercados internacionais. A Carino atende clientes em mais de 22 países.

    Segundo estimativas do setor, Marília responde por aproximadamente 12% da produção nacional de alimentos. É um número extraordinário para uma cidade de 240 mil habitantes.

    O resultado econômico é visível. A Marilan registrou receita líquida de R$ 1,1 bilhão. A Dori alcançou R$ 940 milhões. Ambas figuram entre as 1.000 maiores empresas do Brasil no ranking Valor 1000, do jornal Valor Econômico. Somadas à Nestlé e à Coca-Cola — que também aparecem no ranking com suas unidades em Marília — a cidade tem quatro empresas entre as maiores do país.


    Uma cidade que se orgulha do que faz

    Existe algo único em Marília que vai além dos números e das fábricas. É uma cultura. Uma identidade. Um jeito de ser.

    O mariliense cresce sentindo o cheiro de biscoito assando. Cresce sabendo que o amendoim japonês que todo mundo come no Brasil saiu daqui. Cresce vendo os caminhões carregados de produtos saindo das fábricas e levando o nome da cidade para o mundo.

    Muitas famílias marilienses têm a própria história entrelaçada com a história das fábricas. O avô que trabalhou na primeira linha de produção da Marilan. A mãe que embalava balas na Dori. O pai que dirigia caminhão levando chocolates da Bel para São Paulo. São histórias pessoais que se misturam com a história coletiva da cidade.

    Quando Doraci dos Santos Spila fazia pipoca na sala de casa em 1967, ela não imaginava que estava plantando a semente de uma empresa que seria comprada por um dos maiores grupos de doces do mundo. Quando Maximiliano e Iracema Garla acenderam o forno à lenha em 1957, não sabiam que seus biscoitos chegariam a 50 países. Quando Paulo Sérgio Dedemo homenageou a esposa Isabel no nome da sua fábrica de chocolates em 1976, não previa que a Bel se tornaria uma marca nacional.

    Mas é assim que as grandes histórias acontecem. Começam pequenas, com um forno, uma receita e um sonho. E crescem até alimentar um país inteiro.

    Marília é isso. A cidade que alimenta o Brasil. E que tem muito orgulho disso.

  • Feriadão de Páscoa e Aniversário de Marília: Confira a Programação Completa na Cidade!

    Feriadão de Páscoa e Aniversário de Marília: Confira a Programação Completa na Cidade!

    Neste ano, o feriado de Páscoa ganhou um sabor ainda mais especial para os marilienses. O motivo? O Sábado de Aleluia marca também o aniversário de 97 anos da nossa querida Marília! A cidade preparou uma programação intensa que une tradição religiosa, celebrações cívicas, música, lazer e gastronomia para toda a família.

    O portal ComMarília preparou um roteiro completo para você não perder nada do que está rolando na cidade neste fim de semana prolongado. Confira os destaques e programe-se:

    🕊️ Sexta-feira Santa (03 de Abril): Fé e Tradição

    30ª Encenação da Paixão de Cristo Um dos eventos mais emocionantes e tradicionais do nosso calendário chega à sua 30ª edição com o tema “Que amor é esse?”. A apresentação revive os últimos momentos de Jesus com uma superprodução de figurinos, iluminação e cenários ao ar livre, reunindo dezenas de atores locais.

    • Onde: Parque do Povo (Av. Mem de Sá, Nova Marília).
    • Horário: A partir das 20h.
    • Entrada: Gratuita.

    🎉 Sábado (04 de Abril): Parabéns, Marília (97 Anos)!

    O sábado será inteiramente dedicado a celebrar a rica história da nossa cidade, mesclando respeito às tradições e muita festa pelas ruas.

    Ato Cívico e Desfile Militar O tradicional hasteamento das bandeiras ao som da Banda Marcial Cidade de Marília abre o dia de comemorações. Logo em seguida, o público poderá acompanhar o clássico desfile cívico-militar que sempre emociona as famílias presentes na avenida.

    • Onde: Av. Sampaio Vidal (em frente à Prefeitura).
    • Horário: A partir das 8h.

    EnCanta Marília (Música na Praça) O fim de tarde promete muito som e animação! O projeto cultural reúne bandas e DJs locais, tocando estilos variados que agradam a todos os públicos. É uma excelente opção de lazer ao ar livre para curtir o pôr do sol do nosso aniversário.

    • Onde: Praça da Emdurb (Av. das Esmeraldas).
    • Horário: A partir das 18h.
    • Entrada: Gratuita.

    🐰 Domingo de Páscoa e Lazer Geral

    Seja para o tradicional almoço em família ou um passeio agradável para gastar a energia das crianças após o chocolate, fique de olho no que está funcionando:

    Bosque Municipal Uma excelente pedida de contato com a natureza para o domingo de Páscoa! O bosque estará operando normalmente durante o feriado, sendo um espaço perfeito para piqueniques e caminhadas.

    • Horário de funcionamento: Aberto para visitação das 6h às 18h.

    4º Circuito Café de Hotel Ainda dá tempo de aproveitar o turismo gastronômico local! Diversos hotéis da cidade abriram as portas para que os moradores possam desfrutar de seus fartos e tradicionais cafés da manhã. O circuito vai até o dia 12 de abril, então aproveite o domingo para esta experiência diferenciada.

    🎭 Bônus da Semana (Ressaca de Páscoa)

    A vibração do feriadão se estende até a próxima quinta-feira (09/04) com muita comédia. O Aeros Bar recebe o show de Stand Up Clube do Bolacha. O grande destaque da noite? As piadas focam no universo de quem trabalha com telemarketing!

    • Atenção à promoção: Operadores de telemarketing que apresentarem o crachá têm entrada grátis!

    E aí, já sabe qual vai ser o seu roteiro neste feriadão histórico? Compartilhe esta matéria no grupo da família e dos amigos, e um excelente feriado e aniversário de Marília para todos nós!

  • As Personalidades que Levaram o Nome da Nossa Cidade à História

    As Personalidades que Levaram o Nome da Nossa Cidade à História

    Por ComMarília

    Desde a sua fundação oficial em 1929, nossa cidade cresceu a passos largos, impulsionada pelos ventos do progresso, pelos trilhos da ferrovia e pelo suor de pioneiros que transformaram o interior paulista em uma verdadeira potência. Somos conhecidos nacionalmente como a “Capital Nacional do Alimento”, um título que ostentamos com muito orgulho. Afinal, quem nunca sentiu aquele inconfundível e acolhedor cheiro de biscoito assando que toma conta da cidade nos finais de tarde?

    Mas Marília é muito mais do que a sua pujança industrial e econômica. O nosso solo vermelho, rico e fértil, não fez brotar apenas o café no passado ou as grandes fábricas no presente. Nossa terra é, acima de tudo, um celeiro de talentos inigualáveis.

    Hoje, convidamos você, mariliense de nascença ou de coração, a embarcar em uma jornada de resgate da nossa memória. Preparamos uma série especial de cards (que você pode conferir e compartilhar em nossas redes sociais) homenageando grandes personalidades que nasceram aqui ou que construíram suas trajetórias nas nossas ruas, e que acabaram conquistando o Brasil e o mundo.

    Prepare-se para sentir o peito encher de orgulho. Estes são os marilienses que fizeram e fazem história.


    O Ouro e o Bronze: Marília no Topo do Esporte Mundial

    Quando o assunto é esporte, a água e a terra de Marília parecem ter um ingrediente especial. Nossa cidade já colocou seus filhos nos lugares mais altos do pódio mundial, desafiando as estatísticas e provando que o talento do interior não tem fronteiras.

    Tetsuo Okamoto e o Pioneirismo nas Águas

    Muito antes de o Brasil se tornar uma potência na natação, um jovem mariliense já desbravava as piscinas internacionais. Tetsuo Okamoto (1932-2007) é uma lenda viva na memória do esporte nacional. Treinando nas águas do nosso querido Yara Clube, Tetsuo enfrentou adversidades imensas para chegar aos Jogos Olímpicos de Helsinque, na Finlândia, em 1952. E ele não foi apenas para participar. Tetsuo conquistou a medalha de bronze nos 1.500 metros nado livre, tornando-se o primeiro atleta brasileiro a ganhar uma medalha olímpica na natação. Um feito colossal que colocou Marília definitivamente no mapa olímpico.

    Thiago Braz e o Salto para a Eternidade

    Avançando algumas décadas, chegamos às inesquecíveis Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016. O mundo inteiro assistia a uma disputa acirrada no salto com vara. De um lado, o favorito francês; do outro, um jovem nascido em Marília em 1993, que começou sua trajetória no atletismo na nossa cidade. Thiago Braz não apenas venceu a pressão. Ele voou. Ao ultrapassar a marca de 6,03 metros, Thiago conquistou a Medalha de Ouro e bateu o recorde olímpico, em uma das noites mais emocionantes da história do esporte brasileiro. Um filho de Marília tocando o céu.


    O Rei dos Gramados: A Tradição Mariliense com a Bola nos Pés

    O Estádio Bento de Abreu Sampaio Vidal, o nosso “Abreuzão”, já viu muito craque desfilar, mas a contribuição de Marília para o futebol brasileiro vai muito além das fronteiras da cidade.

    Jurandir de Freitas: O Campeão do Mundo

    Nascido em Marília em 1940, Jurandir de Freitas foi um zagueiro de uma classe absurda. Consagrou-se como um dos maiores ídolos da história do São Paulo Futebol Clube, onde jogou por muitos anos. Mas o ápice de sua carreira foi vestir a amarelinha. Jurandir fez parte do lendário esquadrão da Seleção Brasileira que viajou ao Chile em 1962 e voltou com a taça de Bicampeão do Mundo. Imagine só: um zagueiro forjado na nossa terra, erguendo o troféu mais cobiçado do planeta ao lado de Pelé e Garrincha!


    A Voz que Revolucionou o Rádio Brasileiro

    Osmar Santos: O Pai da Matéria

    “Ripa na chulipa e pimba na gorduchinha!” Embora tenha nascido na vizinha Osvaldo Cruz, Osmar Santos cresceu, estudou e, o mais importante, iniciou a sua carreira em Marília. Foi nos microfones da Rádio Clube de Marília que a voz mais marcante da narração esportiva brasileira começou a ganhar forma. Osmar não apenas narrava; ele transformava o jogo de futebol em um espetáculo de entretenimento, poesia e emoção. “O Pai da Matéria” revolucionou a comunicação do país, introduzindo bordões e uma velocidade de raciocínio nunca antes vistos. Marília tem a honra de ser o berço profissional desse gênio da comunicação, que também foi a voz do movimento “Diretas Já”, marcando a história política do Brasil.


    Ciência e Descoberta: O Passado da Nossa Terra

    Nossa contribuição para a ciência é fundamental e atrai os olhos de pesquisadores do mundo inteiro para o nosso solo.

    William Nava: O Caçador de Fósseis

    Você sabia que Marília é uma das regiões paleontológicas mais importantes do Brasil? E o grande responsável por colocar a nossa cidade nos livros de ciências do mundo todo é o paleontólogo mariliense William Nava. Desde 1992, Nava dedica sua vida a escavar os vales e barrancos da nossa região. Suas descobertas são espetaculares: novas espécies de titanossauros (os gigantes pescoçudos) e crocodilomorfos que viveram aqui há milhões de anos. Graças ao seu trabalho incansável, temos hoje o Museu de Paleontologia de Marília, um verdadeiro tesouro científico que atrai pesquisadores de todo o globo. Nava transformou nossa terra vermelha em uma janela para a pré-história.